Desmistificando a osteoporose

Ao contrário do que muitos pensam, a doença não acomete apenas idosos e as fraturas podem ser mais graves do que as dores

20/11/2017

Por Tatiane Simon

A maioria das pessoas ainda liga a osteoporose a uma doença típica e comum apenas nas pessoas idosas ou que é ocasionada em função da diminuição do cálcio no organismo. Mas, o ortopedista e especialista no assunto, Alexandre Marques, explica que ambas as versões não são verdades absolutas. Ele pontua que a osteoporose é uma doença metabólica que surge devido a uma rarefação do osso, o que, segundo ele, é uma consequência natural da idade. “A osteoporose é uma alteração nessa remodelação óssea. A gente tem um trabalho de equilíbrio entre a formação e a reabsorção da estrutura óssea do nosso organismo. Quando acontece uma alteração, seja na formação do osso ou no aumento da absorção do osso velho, a gente acaba fazendo uma alteração nesta balança e leva ao que na medicina se condicionou chamar de rarefação”, explica.

O especialista reforça que a dose diária ideal de cálcio que o organismo deve absorver é de aproximadamente 1200 miligramas e vitamina D maior que 30mg/ml de sangue. Nosso corpo consegue essa quantidade através dos alimentos que consumimos diariamente. Sendo importante dizer que a vitamina D, também conhecida por calciferol, é obtida através da ingestão de alimentos e também através da transformação do colesterol pelas radiações solares, estando relacionado à absorção do cálcio e fósforo no intestino. Lembrando ainda que para efetivar a absorção de vitamina D é necessário que o indíviduo exponha-se ao sol pelo menos 15 minutos em dias alternados. “Na ausência desta vitamina, a gente acaba tendo uma alteração na reabsorção do cálcio e isso levaria a ter que tirar cálcio contido nos nossos ossos, o que acaba levando ao enfraquecimento, gerando o que conhecemos como osteoporose. Mas não é essa a única causa da osteoporose. Por se tratar de uma doença metabólica, várias podem ser as causas”, lembrou. O especialista destacou que vários problemas podem ocasionar a alteração na formação de osso novo e reabsorção de osso antigo. Uma das causas pode estar relacionadas, segundo ele, ao uso de determinadas medicações. 

É errado relacionar a osteoporose, a doença do osso, apenas às pessoas idosas. Um paciente que tenha, por exemplo, o hipertireoidismo, pode ter alteração de cálcio no organismo. Quem esteja tomando corticoide também pode enfrentar a alteração que acaba influenciando na balança: formação e reabsorção óssea, levando a uma osteoporose”, desmistifica Alexandre. 

Ele acrescenta ainda que o paciente que é idoso ou já passou dos 50 anos, vai ter uma reabsorção óssea maior, principalmente a mulher, que está entrando na menopausa, e tem uma diminuição no estrógeno, um hormônio muito importante para inibir a reabsorção óssea. Quando tira o estrógeno, faz com que a reabsorção aconteça em grau mais elevado. 

Nossos ossos crescem até os 20 anos e temos o aumento da densidade óssea até os 35. A partir daí, naturalmente, a gente já tem um aumento da reabsorção óssea que vai aumentar na faixa da terceira idade e tendo a mulher como a prevalência entre o homem, numa média de a cada seis mulheres um homem”, afirma. 

Sobre as dores causadas pela doença que enfraquece os ossos, Alexandre relata que muitos pensam mais na dor que a osteoporose causa. Mas, segundo ele, a preocupação é secundária à doença de osteoporose que ocasiona fraturas pelo enfraquecimento ósseo como os colapsos vertebrais frequentes nos idosos com osteoporose estabelecida. “Estamos envelhecendo mais e vivendo mais na chamada terceira idade. Existem estudos que revelam que se a gente comparar os anos de 1950 com 2050, vamos contabilizar um aumento de 400% na incidência de fraturas de fêmur em pacientes  com até 65 anos. Já aqueles com idade superior a 65 anos, teremos um aumento de prevalência de fratura de colo de fêmur em 700%. Isso já serve de sinal de alerta para a população”, enfatiza.

Mas, como atingir a chamada terceira idade com o osso saudável? O especialista acrescenta que o ideal é fazer acompanhamento médico, avaliar se existe alguma alteração hormonal, metabólica, alteração na reabsorção do cálcio e sempre fazer as devidas reposições. “Muitas pessoas pensam que é só tomar cálcio, mas isso não é uma verdade. É preciso primeiro descobrir qual a causa específica do caso. Isso varia de paciente para paciente. É claro, se você estiver com todas as suas funções normais, tomando leite e derivados, você vai ter uma boa ingestão de cálcio. 

Fonte: JP News

VEJA TAMBÉM

Solis Turismo