Expectativa de vida sobe para 75,8 anos em 2016, diz IBGE

De 1940 a 2016, brasileiro ganhou mais de 30 anos. RS está acima da média nacional

05/12/2017

Brasil - Integrante ativa do clube de mães do Grupo Lar Flor de Maio, da Linha São José, em Estrela, Ivone Maria Wendt conta 86 anos bem vividos - nasceu em 1931. E se você, leitor, pensa em classificá-la como um típico membro da terceira idade, melhor rever isso: "Eu não sou essas velhas que ficam sentadas em casa, com a mão no colo, esperando morrer. Não mesmo", adianta. "Eu gosto de conversar com as minhas amigas, dar risada. Faço de tudo."

Faz mesmo. A agenda de Ivone, que mora no Bairro das Indústrias, inclui atividades do grupo, bailes de idosos, crochetar, jogar bingo, cozinhar para a família e fazer pilates uma vez por semana. "Já faço há três anos. Gosto de ver as menininhas me olhando, toda esticada, fazendo exercício. 'Olha o que essa velha faz', elas dizem. E eu fico pensando: '10x0 pra mim'."

As mais de oito décadas de Ivone a colocam acima da média nacional da expectativa de vida do brasileiro, que é de 75,8 anos, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na semana passada. A expectativa de vida ao nascer também aumentou, passando de 75,5, em 2015, para 75,8 anos, em 2016, um acréscimo de três meses e onze dias. 

Entre os estados, o Rio Grande do Sul é o quinto no ranking dos que apresentam maior esperança de vida - 77,8 anos, ficando acima da médica nacional. Com 76 anos, Angelina Schneider, moradora da Linha São José, pretende superar essa marca. 

Viúva, ela divide o terreno de casa com o filho e o neto. Ela conta que sua vitalidade provém do jardim que cultiva no quintal. "As 6h eu já estou em pé. Espalho farelo de milho e coloco açúcar na água pra chamar beija-flor. É tão bonito, aquelas flores coloridas, rodeadas de canários, azulões e sabiás", descreve, com brilhos nos olhos. "Que alegria me dá de ver isso. A natureza me faz bem."

Já Ivone tem outra dica para manter a longevidade e a qualidade de vida: "Ficar perto da família e ter muitos amigos, rir bastante. Não pode se abalar."

Vale do Taquari
A expectativa de vida no Vale é alta. Embora os dados regionais do IBGE não estejam atualizados, ainda em 2010 Arroio do Meio já tinha média de 76,62, número superior ao do RS em 2016. O índice era o maior da região, seguido por Encantado (76,50), Teutônia (76,31), Estrela (75,97), Lajeado (75,41) e Cruzeiro do Sul (74,98).

A expectativa de vida é a estimativa do tempo em que vai viver um grupo de indivíduos que tenha nascido no mesmo ano, se mantidas as condições do contexto social de inserção desde o seu nascimento. Para isso, se faz uma média aritmética das idades que as pessoas de cada local morreram. De 1940 a 2016, a expectativa de vida do brasileiro subiu mais de 30 anos. Apesar de o crescimento contínuo na expectativa de vida, o Brasil ainda está abaixo de países como Japão, Itália, Singapura e Suíça, que em 2015 tinham o indicador na faixa dos 83 anos.

"O idoso na região é um novo ator social" 
A professora Arlete Ely Kunz da Costa é uma pesquisadora do tema do envelhecimento populacional. No passado, ela defendeu sua tese de doutorado sobre os desdobramentos regionais do envelhecimento, pelo Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Desenvolvimento da Univates. Na opinião da pesquisadora, é por meio da formação de profissionais sensíveis às demandas da população mais velha, em especial os da área da saúde, que se pode garantir um envelhecimento saudável às pessoas. 

Além disso, Arlete confia aos grupos de convivência de terceira idade, que oferecem aos mais velhos espaços de socialização e comunicação, um incremento à qualidade de vida dos idosos. "Por meio dos grupos, eles compartilham experiências". Muito mais do que um estímulo ao lazer, nos grupos eles podem trocar visitas e reencontrar pessoas. "Muitas vezes são colegas de aula dos tempos de escola ou de outras fases da vida", diz a professora, destacando que os grupos também oferecem suporte àqueles que podem precisar. "Os grupos são muito fortes no Vale", revela a estudiosa. 

Isso permite que os idosos interajam com outras culturas, já que turmas de diferentes municípios se visitam e trânsitos entre os participantes de cidades diferentes são frequentes. Tudo isso mantém os mais velhos ativos e ser ativo é uma demanda recente que emerge de uma nova mentalidade da terceira idade. A manifestação do desejo de participar, de escolher e de estar presente nas decisões e ações em comunidade, conforme a professora, é cada vez maior. 

Às administrações municipais, às esferas estaduais e à nacional são postos desafios. A longevidade da população é uma questão que perpassa as diversas áreas da administração pública. Na opinião de Arlete, é preciso pensar a terceira idade em todas as áreas, não só na saúde. Já que não é questão apenas de saúde. "As pessoas, quando atingem uma certa idade, continuam movimentando a economia", exemplifica. 

A professora alerta que, ao longo da vida, para chegar à terceira idade com saúde, é necessário levar em consideração hábitos saudáveis. "Viver bem e ser feliz, fazendo coisas que mantenham equilibrados os níveis de estresse", diz ela, em primeiro lugar. Na opinião da doutora, cuidados com alimentação, a prática de atividades físicas e a atenção à prevenção e à promoção da própria saúde também são essenciais. Ela destaca o papel do convívio com outras pessoas como importante instrumento para se manter bem. 

Segundo a pesquisadora, que realizou dezenas de entrevistas com idosos na região para o desenvolvimento de sua tese de doutorado, os idosos da contemporaneidade sabem que são atores de mudança. Ou seja, sabem que vivem um período de transição entre a forma como viveram seus pais e as possibilidades que o futuro irá oferecer. Por isso, "é importante os mais jovens olharem para os idosos. Eles trazem experiência de vida", conclui. 

A longevidade demanda medidas socioeconômicas pensadas para a população idosa nas áreas de saúde, educação, cultura e lazer. Para a professora, nas definições dos programas sociais e das políticas públicas, o idoso é visto como um novo ator. Conforme as conclusões da pesquisadora, o aumento da população idosa gera necessidades de mudanças na estrutura social para que as pessoas, ao terem suas vidas prolongadas, não fiquem distantes de um espaço social, em relativa alienação, inatividade, incapacidade física, dependência e, consequentemente, sem qualidade de vida.

Fonte: O Informativo do Vale

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